10/2/2009
Órgãos
vinculados ao MMA começam a se adequar à
proibição do uso de amianto
Pouco mais de uma semana após o Ministério
do Meio Ambiente (MMA) ter proibido o uso do amianto em
suas obras, bem como nas realizadas pelas diversas entidades
vinculadas ao ministério, o Instituto Chico Mendes
de Conservação da Biodiversidade e a Agência
Nacional de Águas (ANA) já iniciaram os
estudos para substituir de suas edificações
todo o material que contiver o produto.
Usado
na produção de caixas-d´água,
telhas, pisos, tintas e tecidos anti-chamas, além
de lonas e pastilhas de freio de carro, o amianto, ou
asbesto, como também é conhecido, é
apontado pela própria Organização
Mundial de Saúde (OMS) como causador de doenças,
como a asbestose (doença crônica pulmonar
que provoca endurecimento do órgão), câncer
de pulmão e mesotelioma de pleura (membrana que
reveste o pulmão), pericárdio (membrana
que reveste o coração) e peritônio
(membrana que recobre a cavidade abdominal).
Segundo
a gerente de segurança química do Departamento
de Qualidade Ambiental do MMA, Taís Pitta Cotta,
a proibição vale para as compras e obras
feitas pelo ministério e órgãos
públicos a ele vinculados (Instituto Chico Mendes,
ANA, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis [Ibama] e Instituto de Pesquisas
Jardim Botânico do Rio de Janeiro), após
o último dia 28, quando a decisão ministerial
foi publicada no Diário Oficial da União.
"A
partir dessa data não poderão mais ser
contratados serviços e produtos que usem o amianto.
O material que tem o produto e que já foi empregado
deverá ser substituído com o tempo, conforme
houver necessidade de reformas. Esperamos substituir
tudo no menor tempo possível, mas isso não
consta da portaria, é fruto de uma orientação
interna", explicou Taís, ressaltando que
o material que for sendo substituído terá
que ser descartado em aterros especiais, destinados
a resíduos perigosos.
Segundo
o presidente do Instituto Chico Mendes, Rômulo
José Fernandes Mello, os diretores de todas as
unidades de conservação e de centros de
pesquisa e conservação mantidos pelo instituto
estão sendo orientados não apenas a não
adquirirem mais nada que contenha o amianto, mas também
a apresentar um inventário de tudo o que contiver
o produto.
"Estamos
realizando um levantamento das obras já existentes,
onde esse material foi utilizado para, com isso, avaliar
sua substituição dentro de um determinado
prazo de tempo", diz Mello, que defende que a substituição
está implícita no texto da portaria.
"Estou
fazendo uma leitura do artigo primeiro [da portaria]
que, de acordo com minha compreensão, diz que
é proibida a utilização do amianto,
o que significa dizer que devemos avaliar onde o produto
já foi empregado para que ele possa ser substituído",
ponderou Mello.
O
gestor disse ainda não ter definido quando e
como a eventual substituição será
feita. Nem sobre os custos, já que o levantamento
ainda está em fase inicial. Quanto ao efeito
da medida do MMA nas futuras obras do instituto, Mello
disse que a escolha de outros materiais que não
o amianto não irá encarecê-las necessariamente.
"De
acordo com a região, usar telhas de barro pode
sair mais barato. De qualquer jeito, tendo ou não
um determinado custo [maior], a portaria é determinante
para que evitemos materiais que representem riscos à
saúde humana", disse o gestor.
Por
meio de sua assessoria, a ANA informou que pretende
aproveitar a reforma do edifício-sede da agência,
em Brasília, para substituir as telhas de amianto.
O prédio está em reforma desde o ano passado
e a previsão é de que esteja pronto ainda
durante o primeiro semestre deste ano.
Fonte:
Agência Brasil
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